Desidratação gera confusão mental em idosos

O Dr. Arnaldo Lichtenstein* faz um alerta sobre os males que a desidratação pode gerar no organismo e mentalidade de uma pessoa idosa.

Idosos, sem sentir sede, deixam de tomar líquidos, o que causa rapidamente a desidratação.

A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos (“batedeira”), angina (dor no peito), coma e até morte.

A partir dos 60 anos, o corpo humano tem pouco mais de 50% de água e isso faz parte do processo natural de envelhecimento.

Portanto, os idosos têm menor reserva hídrica.

Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.

Ou seja, os idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo.

Mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.

Assim, é necessário que os idosos tornarem voluntário o hábito de beber líquidos. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite, sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina, que também funcionam.

O importante é, a cada duas horas, ingerir algum líquido ou alimento que contenha muita água.

Os familiares dos idosos também precisam ficar atentos aos hábitos deles, oferecendo constantemente líquidos ou alimentos que contenham bastante água. Ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar,  é preciso ter atenção, pois é quase certo que sejam sintomas decorrentes de desidratação.

*Dr. Arnaldo Lichtenstein (46), médico, é clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).