Estudos apresentados em 2013, numa conferência da Associação do Alzheimer em Boston mostraram que pessoas com alguns tipos de preocupação cognitiva têm mais risco de apresentar a patologia de Alzheimer no cérebro e de ter demência. As pesquisas concluíram que pessoas com mais preocupações com a memória e a habilidade de organização têm mais chance de ter amiloide, proteína crucial ligada ao alzheimer, no cérebro.

E, numa mudança importante que ganhou destaque na conferência, os pesquisadores estão identificando uma nova categoria chamada “declínio cognitivo subjetivo” –a percepção que a própria pessoa tem de que sua memória e suas habilidades de pensamento estão piorando, antes mesmo de outros terem notado o fato.

Especialistas enfatizam que muitas pessoas com essas queixas não apresentam demência mais tarde. Certo grau de declínio da memória reflete apenas o processo normal de envelhecimento e algumas preocupações refletem angústia psicológica. Pessoas que esquecem o que foram buscar na cozinha ou os nomes de pessoas pouco familiares provavelmente estão envelhecendo normalmente. Pessoas que esquecem detalhes importantes de acontecimentos recentes, perdem-se em lugares familiares ou perdem o fio da meada de programas de televisão podem não estar seguindo um processo normal, especialmente se apresentam mais problemas que outras pessoas de sua idade.

Ainda não está claro se a preocupação afeta as mudanças que as pessoas percebem ou se o próprio fato de se preocuparem eleva o risco de demência no futuro. Pessoas que têm histórico de demência na família podem relatar problemas simplesmente porque já estão familiarizadas com a doença e seu componente genético.

Especialistas ainda não sugerem exames para verificar a presença de “declínio cognitivo subjetivo”, porque são necessárias mais pesquisas e não existe tratamento eficaz contra a demência. Richard Caselli, professor de neurologia na Clínica Mayo, disse que, quando pacientes mencionam problemas cognitivos, ele não recomenda exames de imagem para procurar alzheimer. “Se fizéssemos uma tomografia e disséssemos ‘descobrimos amiloide em seu cérebro’, não haveria nada a fazer.”

Contudo, os exames subjetivos podem ajudar a identificar pessoas com risco maior de demência a determinar se poderão adiar ou prevenir o alzheimer com tratamentos como uma droga antiamiloide que será testada para prevenir a demência em indivíduos cognitivamente normais com amiloide no cérebro.

Caselli explicou que só recentemente houve um declínio nos exames de Siegel. “É possível que se encontre num estágio inicial de uma síndrome degenerativa que está progredindo lentamente.”

Agora, os médicos buscam desenvolver exames cognitivos subjetivos padronizados, para identificar pessoas com maior risco quando houver tratamentos disponíveis.

Fonte: Folha de São Paulo