A Floripa Care acredita nos benefícios do envolvimento da família e da comunidade no dia-a-dia dos idosos e se esforça em oportunizar bons momentos entre seus hóspedes e familiares.

Cientistas comprovam: crianças com avós próximos e vínculos sólidos são emocionalmente mais inteligentes, mais sociáveis, vão melhor na escola e são mais felizes.  Para os avós, vínculo com o neto reduz  risco de depressão e até de Alzheimer.

Durante muito tempo, os antropólogos não entendiam o fato do por quê as mulheres humanas tinha ainda tanto tempo de sobrevida após a reprodução, pois se comparado com as primatas do sexo feminino, que morrem em seus 30 anos, enquanto ainda em idade fértil, as mulheres humanas vivem por décadas e décadas mais.

Os cientistas se perguntaram por que isso acontecia, uma vez que não fazia sentido a partir de uma perspectiva estritamente adaptativa. As mulheres mais velhas não se reproduzem e não são muito fortes. Qual era então a razão evolutiva para isso?

Em resposta a essa pergunta, surgiu a “hipótese da avó”. De acordo com essa teoria, a conclusão das tarefas ligadas à sua própria reprodução permitiu que mulheres idosas em sociedades de caçadores-coletores voltasse sua atenção para fazer outras duas contribuições importantes para sua tribo, atividades estas sempre relacionados com seus netos.

Em mais de 45 estudos diferentes sobre este tema, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento, verificou-se que o envolvimento de avós maternos teve um impacto significativo na sobrevivência e bem-estar de seus netos (por exemplo, reduzir a taxa de mortalidade das crianças pela metade) e, em um surpreendente contraste, a presença do pai teve apenas um pequeno efeito. O envolvimento de avós paternos também teve uma influência saudável, embora fosse mais variável.

Em todas as culturas desses estudos, os avós maternos tendem a assumir um papel maior na assistência aos netos. Os antropólogos diriam que isto é porque estão mais seguros da sua ligação genética com essas crianças: criança que uma nora diz ser neto ou neta de uma avó paterna, pode na verdade não ser. Há também o fator de, muitas vezes, a nora não ter proximidade com os sogros, que dificulta a relação dos avós paternos com a criança.  O maior envolvimento das avós maternas com seus netos também pode ter simplesmente a ver com o vínculo particular que existe entre mães e filhas.

No entanto, ambos oferecem ajuda aos seus netos, apenas de maneiras diferentes, tendo assim, efeitos diferentes. Nestes estudos, o envolvimento e proximidade das avós maternas aumentam as chances de sobrevivência das crianças, enquanto que o envolvimento das avós paternas aumentam a taxa de natalidade.

Embora o impacto do avô tanto historicamente como nos tempos modernos tenha sido muito menos estudado, eles provavelmente têm um papel benéfico na sobrevivência das crianças. A biologia parece apontar para isso.

Enquanto os homens continuam capazes de se reproduzir bem mesmo mais velhos, após os 30 anos, sua testosterona lentamente começa a diminuir e estrogênio começa a subir. Em um homem de 50/ 60 anos, o hormônio oxitocina aumenta também. Essas mudanças hormonais – que diminuem a agressividade e o desejo sexual – ao mesmo tempo aumentam a tendência ao afeto e ao carinho, fazem uma reviravolta nas  prioridades dos homens mais velhos, afastando-os do foco na  reprodução e maior interesse no envolvimento com seus netos. O seu envolvimento tradicionalmente assume uma forma diferente do que se dá com as avós, no entanto; em vez de adotar um papel prático na criação deles, os avôs se tornam mentores importantes no ensino de habilidades e valores para a próxima geração.

Em geral, o que a pesquisa diz é que desde tempos imemoráveis, avós e avôs têm desempenhado um papel crucial em ajudar seus netos sobreviver e prosperar, e, assim, em ajudar a toda a sociedade sobreviver e prosperar. É por esta razão que a antropóloga Sarah Blaffer Hrdy chamou os avós de um “Ás no buraco” da humanidade.

E os avós ampliam esse papel não só em culturas nas quais a reprodução simples e a sobrevivência física permanecem como principais preocupações. Nos dias atuais, avós de todos os tipos – avós e avôs, paternos e maternos – contribuem com enormes benefícios para seus netos, agora em forma de maior bem-estar emocional e psicológico.

Pesquisas mostram que os netos que têm um laço emocional próximo com seus avós colhem uma variedade de benefícios importantes para toda a sua vida.

As crianças que têm relacionamentos fortes avós são comprovadamente mais bondosas, generosas e com menores taxas de ansiedade e depressão no futuro. Além disso, os estudos comprovaram que o envolvimento dos netos com os avós, aumentam o desempenho das crianças na escola, auto-estima, inteligência emocional e de fazer/manter amigos.

O amor de um pai e de uma mãe é singular, mas durante os anos em que educamos uma criança, é também uma “mercadoria” incrivelmente taxada e julgada. Como pais, estamos toda a hora rodando por um monte de placas “isso pode”, “isso fará de você um péssimo pai”e etc. A cobrança social é maior.

Além disso, como pais, a vida não se resume a filhos: apesar de educação demandar muito, na fase em que temos crianças, geralmente nossas carreiras estão a todo o vapor e estamos num impasse entre presença/ segurança financeira. Pais de crianças geralmente dormem mal, comem mal e trabalham muito! Vivem cansados!

Avós, em contraste, estão um passo atrás das responsabilidades de dia-a-dia da criação de seus netos e isso implica que fazem malabarismos com muito menos bolas no ar, em comparação aos pais da criança. Suas carreiras geralmente já estão sendo pausadas ou estão em plena aposentadoria. Eles não têm que lidar com crianças 24horas por dia/7 dias por semana, ou seja, não estão cansados como os pais, podendo assim, estão aproximar mais calmamente de seus netos, com mais tempo, olhos frescos e foco livre.

Como diz o clichê, os avós “estragam” seus netos, e isso nem sempre é uma coisa ruim.

Claro, talvez o seu filho não precise daquele monte de doces que os avós fazem questão de dar ou de outro brinquedo novo, mas tenha a certeza: a criança é amplamente beneficiada quando tem à disposição maior atenção e apoio.

Avós dão atenção e apoio extras em uma variedade de coisas fundamentais para que a criança cresça mais feliz. O estudo dos efeitos dos avós sobre suas famílias, do Dr. James S. Bates, lista 7 importantes coisas que avós proporcionam para seus netos:

1) Árvore genealógica – Ajudam os netos a entender e interpretar a história da família. Contam quem foram os avós dos avós, o que faziam, de onde vieram…

2) Mentores – ensinam e transmitim habilidades práticas e de conhecimento da vida. Minha avó materna me ensinou a costurar e a cozinhar. Minha avó paterna a fazer muitos DIY. Meu avô paterno me deu noções de marcenaria, já que ele mantinha uma oficina completíssima no quintal por puro hobbie.

3) Espiritual – oferecendo conforto, encorajamento e conselhos. Minhas avós me ensinaram a rezar e a ter fé.

4) Caráter – esforços para nutrir e dar forma ao caráter e à personalidade de seus netos, para que se tornem membros éticos e responsáveis na vida em sociedade.

5) Recreação – esforços para organizar, facilitar e participar de atividades de lazer com os netos. Minha avó paterna me deixava pintar a cara dela todinha com maquiagem, lembro até hoje do jeito que ela ficava, tadinha, rsrsrs.

6) Identidade familiar – esforços para encorajar fortes relações familiares e comportamentos interpessoais apropriados entre os membros da família.

7) Investimento – ajudando netos a tornarem-se financeiramente auto-suficientes na idade adulta.

Fazem tudo isso, contribuindo na educação das crianças com muito mais leveza, divertimento, paciência e menos criticidade do que as crianças são avaliadas por seus pais. É um amor que transmite uma sensação de segurança e conforto.

É dando que se recebe. Exatamente como acontece com os benefícios que os avós proporcionam aos seus netos, que voltam como um boomerang para eles.

Os avós que têm a oportunidade de estar não apenas emocionalmente perto de seus netos, mas que também são capazes de contribuir com suporte funcional para eles – como indo buscar de vez em quando na escola, ajudando com alguma coisa financeira ou ainda olhando as crianças para que os pais possam fazer algo – demonstraram ter  saúde psicológica muito mais robusta e menos depressão do que aqueles avós que não fazem isso.

Além disso, os avôs que estão ativamente envolvidos na vida de seus netos demonstram melhor bem-estar do que os avôs que são mais passivos ou desapegados. Como se não bastassem tantas coisas boas, as avós que passam o tempo cuidando de seus netos têm um risco reduzido de Alzheimer e outros distúrbios cognitivos.

Por outro lado, quando são negados aos avós o acesso aos seus netos, são muito mais passíveis de desenvolverem sintomas de depressão.

Esses efeitos não são realmente surpreendentes. Avós e avôs que vivem separados de sua família, tem taxa de mortalidade 26% maior de morte durante o período em que encontram-se afastados da família. Os avós relatam frequentemente que o sentido do amor que sentem por seus netos e o amor incondicional que recebem de volta,  enchem as suas vidas com uma alegria que dá vontade de ser muito bem vivida.

Ainda há o fato de que cuidar dos netos dá aos mais velhos uma sensação de significado, identidade e finalidade, especialmente quando eles já deixaram de trabalhar. De fato, de acordo com um estudo, 72% acham que “ser avô é a coisa mais importante e satisfatória na sua vida” – classificando esse papel mais alto do que as viagens ou a segurança financeira.

A satisfação que os avós sentem vem da participação em todos os papéis mencionados acima – ensinando-os habilidades novas, transmitindo valores, passando tradições, e assim por diante. Dar forma e brincar com uma nova geração rejuvenesce. É uma segunda oportunidade de participar na criação de crianças, e muitos avós dizem que é ainda melhor e mais agradável do que pela primeira vez. Agora mais leve e feliz!

 

Fonte: Mamãe Plugada